Dicas Buenos Aires

Vou começar dizendo que me apaixonei por essa cidade.

Talvez, mais do que pela cidade como um todo, me apaixonei por Palermo, o bairro que ficamos. Recomendo à quem está planejando visitar a capital argentina que fiquem nesse bairro e já vou contar por quê.

Antes de iniciarmos essa viagem moramos 5 anos em Florianópolis. Quando chegamos à ilha da magia ficamos tão embasbacados pela quantidade de praias (suas belezas e peculiaridades), que nos desafiamos a ir conhecer  TODAS elas. Não pegar um carro e ir parando batendo foto e dizer que foi. Ir, curtir, entrar na água, ou fazer uma trilha, ou provar a culinária… Enfim, sendo que há 42 praias oficiais, e algumas delas só são acessíveis por trilha ou barco, a missão levou 3 anos para ser cumprida. Conseguimos ir conhecer todas elas =)

Palermo é um bairro tão boêmio e artístico, que eu não sei quantos anos levaríamos para visitar todas as suas atrações: museus, bares, restaurantes, galerias de arte, relicários, etc. Na verdade, talvez essa fosse uma missão impossível, pois sempre há novos espaços sendo abertos. Vou fazer um relato exclusivo sobre a culinária local, mas só para vocês terem uma ideia, uma busca no Tripadvisor por restaurantes em Palermo revela o seguinte: há 4500 restaurantes em Buenos Aires, destes, 1040 estão em Palermo. 25% dos restaurantes dessa metrópole que tem cerca de 3 milhões de habitantes – metade da população de todo o estado de Santa Catarina – está em Palermo. É uma coisa fora do comum. É encontrar 5 restaurantes em praticamente cada esquina. Uma culinária totalmente internacional, explodiu meu cérebro de pessoa gulosa.

Não só o bairro conta com esse exagero de opções gastronômicas, ele possui os melhores parques da cidade. Meu favorito, o Rosedal, possui centenas de rosas das mais variadas cores e formas, vindas de todos os cantos do mundo. Algumas com 6 pétalas, outras que pareciam ter cem. Umas miniaturas e outras gigantes. Fascinante! Vou postar umas fotos abaixo. Outro parque que eu achei que vale muito a pena ir visitar é o Jardim Japonês, fica ao lado do Rosedal.

 

 

 

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Jardim Japonês, BA

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A última e única vez que estive em Buenos Aires antes dessa, fomos na Casa Rosada, no parque da Floralis Genérica, no Porto Madeiro, e num show de tango que era também um jantar. Comparado com os lugares que fomos agora eu diria que 10-0 para essa viagem de agora. Os bosques de Palermo são bem mais bonitos do que o da Floralis Genérica. Eu não colocaria as atividades por volta da Casa Rosada e o Porto Madeiro como prioridades, mas cada um tem um gosto. Sobre o show de tango, esse com o jantar incluso (fomos no Cafe de los Angelitos) e era muito muito muito comercial. Eu sou dessas que chora litros com apresentações artísticas, realmente me tocam. Mas não gostei desse, não havia emoção, pareciam robôs repetindo a coreografia. Me lembrou o “se vira nos 30” do Faustão, pois parecia que o objetivo era empurrar o maior número de acrobacias quanto coseguissem colocar dentro do tempo da música. Ficou bem estranho e desconexo. Preciso fazer um parênteses pra dizer que a música, em contrapartida, era ao vivo, uma orquestra maravilhosa. Mas eu, pessoalmente prefiro e sugiro algo menor e mais autêntico.

TANGO – Minhas dicas são: você consegue ver bons dançarinos dançando tango nos restaurantes do Caminito, na rua, durante do dia mesmo. E se quiser, também pode fazer uma aula bem descontraída por 100 pesos (menos de 20 reais), em um clube chamado La Catedral. Nesse local, se você não quiser fazer aula não tem problema, há um show com música ao vivo e depois o palco está aberto ao público e os próprios nativos bailam.

Ah, antes que eu esqueça… há uma atividade que não conseguimos fazer mas que pareceu muito top. Assistir à uma apresentação de um grupo chamado La Bomba del Tiempo. Um grupo de percussão incrível. Dêem uma olhadinha no canal deles no YouTube.

Fiz um relato específico para El Caminito, e outro para o cemitério La Recoleta. São dois pontos que gostei bastante e recomendo. Se quiserem algumas dicas gastronômicas podem dar uma olhadinha nesse post.

Minha última dica, um lugar incrível que é um pouco afastado do centro, mas que vale muito a pena, é passar o dia ou um final de semana em Tigre. Quando cruzamos a fronteira entre Uruguai e Argentina (pela ponte internacional em Fray Bentos) percebemos essa região linda chamada entre ríos. Ríos gigantecos e dezenas de canais menores que formavam uma paisagem que me lembrou imagens aéreas do Rio Amazonas. Olhem essa imagem de satélite na região segundo o Google Maps.

tigre satelite

É o lugar perfeito para fazer um passeio de barco, fazer kaiak ou remo… Grande parte da população de lá vive em ilhas em casas construídas sobre estacas (levantas para não entrar água no período de cheia). É possível chegar lá de metro, de trem, de ônibus (e obviamente carros e afins), ou pegando um barco no Porto Madeiro. A viagem até lá é de cerca de uma hora. O mais prático é ir de barco, pois você vai e volta com o mesmo transporte e não precisa se preocupar em planejar muito. A maioria das empresas de barco ainda oferece transfer gratuito do hotel até Porto Madeiro. Maaas, a não ser que você pegue uma lancha particular e menor, será um barco enorme e você vai conhecer bem pouco da região, pois eles se mantém nos rios principais. Já com o kaiak, canoa ou barcos menores, você vai conseguir adentrar as regiões mais selvagens, com mais animais para ver, entre outras vantagens.

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Kaiak em Tigre, Argentina

Nós fomos de trem e voltamos de metrô. O caminho onde passa trem é mais bonito do que o metrô, mas não vale a pena o trabalho extra (na minha opinião), pois você vê bem pouco da água em si, é igual ir de ônibus, você vai ver a estrada normal. Achei que mais vale ir de metrô que é mais rápido e mais barato e assim você curte o visual quando chegar lá. Chegando lá, fizemos um passeio de kaiak que durou umas duas horas e depois descansamos na ilha onde a escola de kaiak estava localizada. Gostei bastante de fazer o kaiak, mesmo que tenha sido um final de semana no verão e tivesse bem cheio. Nos rios principais havia um trânsito intenso de barcos maiores e alguns deles criavam umas ondas bem radicais pra se brincar com o kaiak. E depois fomos dos canais mais desertos e então a água era espelhada, sem ondulação nenhuma. Muito gostoso!

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Museu de Arte, centro de Tigre. Província de Buenos Aires

RESUMÃO DAS DICAS

Onde ficar? Bairro Palermo.

O que visitar? Bosques de Palermo (e parques da região: Rosedal, Jardim Japonês), Recoleta, Caminito e Tigre. Se tiver mais tempo então o Porto Madeiro, São Telmo e Casa Rosada.

Cultura – brasileiros crescem aprendendo e contando piadas de argentinos. E percebi que este hábito vai muito além de uma brincadeira inofensiva. Ela produz raízes sutis, porém profundas, de intolerância e preconceito. Tudo bem ter uma rivalidade no futebol, torcer contra, mas cuidado para não generalizar esse ódio para uma nação inteira.

Vou contar duas histórias para mostrar a ótima experiência que tivemos com o povo argentino:

1 – ao cruzar a fronteira paramos num posto de gasolina para abastecer e também queríamos comprar um chip de celular para poder ter internet. No caixa descobrimos que turistas não estão autorizados a comprar chips a não ser em postos específicos de venda. Mas era domingo e estavam fechados. Prontamente a atendente ofereceu sua ajuda para colocar o número da identidade dela para ativar o novo chip. Assim ela ativou um chip e o outro atendente ativou o outro. Ficamos muito gratos e felizes com a ajuda. Porém eu tinha uma vozinha na minha cabeça pensando: nossa, quanta ingenuidade… será queeles não se tocam que se a gente se envolver em qualquer atividade ilegal eles ficariam comprometidos por dizerem que esses chips são deles? Depois de tudo pronto e instalado, agradecemos, e o atendente fala num tom de piada: mas não matem ninguém hein? Não queremos encrenca! Todos nós rimos e nós garantimos que não tínhamos a mínima intenção. Mas então pensei: nossa, que pessoas gente boa, mesmo sabendo do risco nos ajudaram!

2 – 30 de dezembro de 2017, Punta del Este (Uruguai). Uma noite antes do reveillón e a cidade está transbordando de turistas. Fomos jantar em uma pizzaria simples e havia uma fila enorme. Esperamos por uns 20 min e liberou uma mesa de 4 pessoas. Outro casal se aproximou pensando que era a vez deles, mas logo perceberam o equívoco e começaram a se afastar. Já era umas 10:30 da noite e eu pensei: nossa, eles devem estar tão famintos quanto nós e há espaço para compartilharmos. Sem planejar nada ou consultar o Darin convidei se eles não queriam compartilhar a mesa. Acertei na mosca que eles estavam com fome, pois já pularam para as cadeiras aceitando o convite. No começo ficou um clima um pouco estranho, cada um ouvindo a conversa do outro sem saber se a gente ignorava que estávamos compartilhando a mesa ou se a gente puxava um papo e tentava se conhecer. Mas logo papo daqui e papo de lá, eles éram um casal de argentinos suuuuuper gente boa que nos deu uma lista enorme de dicas (incluindo a dica de ouro de se hospedar em Palermo e outras dicas que estou compartilhando com vocês).

Eu separei essas duas histórias, mas há tantas outras… Espero que você tenha entendido a mensagem principal que é: deixe de lado seus preconceitos. Sempre que generalizamos que pessoas do país ____________,  ou pessoas da religião _____________, ou pessoas sem religião são ____________ , estamos errados. Com certeza. Pois essas regras absolutas não existem. Todas as pessoas querem ser feliz. A maioria das pessoas quer viver em paz, não quer conflitos com ninguém. Falta as vezes desligar a TV e ir conhecer essas pessoas onde elas estão ao invés de ficar julgando o que você não conhece como “ruim”. O mundo é lindo e as pessoas são boas, o que você vê na TV é a excessão e não a regra. As piadinhas agora magicamente perderam a graça.

Lhe desejo muitas viagens e muito aprendizado!

Partimos de Buenos Aires sabendo que queremos algum dia voltar.

 

 

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