Praia, uma experiência multissensorial

Toda areia tem uma textura, além de sua cor. Cada praia tem um cheiro, que depende também do dia. As ondas produzem sons mais relaxantes ou estimulantes, dependendo de sua força e frequência. Uns mares são mais salgados que outros. Há animais diferentes habitando o ambiente, baseado no ecossistema em que a praia está inserida. E é tão legal poder esvaziar os pensamentos da cabeça e estar ali, presente naquele momento, naquele local.

Eu nasci no interior, ia pouco a praia. Talvez eu tenha ido umas 5 vezes em toda a minha infância. Depois na adolescência, com os amigos e mais tarde quando eu tinha transporte próprio, a frequência aumentou. Quando eu tinha 23 anos me mudei com meu marido, na época era meu namorado, para Florianópolis. Grande maioria do seu território fica em uma ilha. Possui, de acordo com  essa lista, 45 praias: 37 na ilha e 8 na parte insular da cidade.

Quando nos mudamos para esse paraíso de belezas naturais estabelecemos uma meta: conhecer todas as praias da cidade. Foi uma meta muito gostosa de bater, nos levou 3 anos. Cada praia tinha uma personalidade e proporcionava uma experiência diferente. Algumas praias só eram possíveis acessar por trilha ou barco, como Lagoinha do Leste e Naufragados. Outras tinham até acesso demais! (risos) Super badaladas, barulho de gente, de carros, como a Joaquina e Mole. Algumas com trilhas maravilhosas para morros que proporcionam uma linda vista panorâmica, como Ingleses e Santinho. Havia ainda aquelas com restaurantes renomados como Santo Antônio de Lisboa, Sambaqui e Cachoeira Bom Jesus. Opção não faltava, para todos os gostos.

IMG_2170
Praia Lagoinha do Leste, acesso apenas por trilha ou barco

Eu nunca me considerei uma “rata de praia”, não conseguia entender como existiam pessoas que passavam um dia inteiro na praia, várias horas. Mas fui aos poucos descobrindo os seus efeitos terapêuticos. No fim, eu já marcava com os amigos tudo na praia! Slackline, música, luau, caminhadas na areia, trilhas, picnic… até pizza pedíamos na praia.

 

 

É legal ter a conveniência de passar alguém vendendo uma bebida gelada ou um lanche, porém também é muito gostoso estar numa praia deserta. Eu comecei a estar cada vez mais no momento, não para avaliar algo como bom ou ruim, melhor ou pior que outra praia, mas para me deixar conectar (ou seria desconectar?).

IMG-20160214-WA0000
Bar móvel – Ingleses

Em Florianópolis morávamos perto da Praia dos Ingleses. Areia branca, bem fininha, que assoviava se você arrastava os pés. Parece que você está pisando em polvilho misturado com açúcar. O mar é revolto, ondas fortes. Havia sempre um ventinho, mesmo nos dias mais quentes. Barulho das gaivotas, dando seu nome à principal rua do bairro. No verão tinha cheiro de gente, protetor solar. No inverno cheiro de peixe.

IMG_4917
Pesca da Tainha em Florianópolis

Em Sancho, Fernando de Noronha, a areia me dava vontade de rir. Parecia que eu estava pisando em farinha de mandioca. Os pés afundavam, era mais cansativo caminhar, mas era também estranhamente confortável. Agora, junho de 2018, estamos na Praia de Intermares, grande João Pessoa. A areia tem grãos médios, como açúcar cristal e é cheia de conchinhas. Há um vento forte e constante, como quando a gente coloca a mão pra fora de um carro em movimento ou anda de bicicleta morro a baixo. A temperatura é perfeita.

 

img_20180603_161333597
Praia Intermares – Grande João Pessoa

Mar doce lar. Estar aqui nos remete a sossego e qualidade de vida. Nesse último final de semana, pela primeira vez em 6 meses, montamos nosso slackline e passamos uma tarde inteira na praia. Que delícia!

Convido você a mergulhar nessa experiência multissensorial na próxima vez que for à uma praia. Qual outro lugar você anda descalço na natureza? Também dá pra mergulhar em si mesmo, ficar em silêncio, respirar devagar. Pode ser uma terapia, uma pausa desse mundo tão corrido que vivemos. Pode ser um perceber do seu corpo em contato com a areia ou a água. Você pode SER se você estiver ali. As vezes não damos valor às pequenas coisas. É importante que você perceba as experiências que te façam sentir bem e que garanta espaço para elas na sua vida. Mesmo agora, depois de adulto você pode descobrir novos hábitos. Eu só fui na praia umas 5 vezes quando eu era criança, mas agora passar tempo na praia é parte da minha vida, dou valor, dou prioridade e sou grata.  Você é daqueles que planeja ter o hábito de ir a praia apenas quando se aposentar? Bom, quem te garante que você vai chegar lá?

Um ano é feito de dias, uma vida é feita de momentos… você prioriza momentos que te façam feliz? Você coloca na sua lista de coisas a fazer um tempo pra você?

Carpe Diem!

img_20180603_135604678

 

3 Comments

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s