É cansativo ficar mudando de lugar?

Sim e não.

Sabe aquele sentimento que nos invade quando chegamos em casa depois de uma viagem? “Nossa, como é bom voltar para minha casa!” Como é que fica quando você não tem uma casa fixa?

Antes de eu começar essa jornada como Nômade Digital, essa era uma das perguntas que me passava pela cabeça. Mil fantasias de como seria, o que seria difícil ou fácil. E hoje vim compartilhar um pouco dessa experiência com vocês.

Eu pensei que a parte mais difícil para mim seria dirigir por mais de 4h entre um local e outro, pois eu já ficava exausta em dirigir 2-3h para ir visitar minha família. Mas essa parte está sendo bem mais fácil do que eu pensei. Na verdade, nós criamos estratégias para que não fosse tão cansativo. Meu marido e eu percebemos que de fato depois de 2h dirigindo ficamos cansados, começa a dar um pouco de sono. Então estabelecemos que cada um dirige 2h e então trocamos de motorista. Também já aproveitamos para sair um pouco do carro, dar uma caminhada e fazer alguns alongamentos. Desse modo a viagem se torna mais leve e interessante.

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Paulinho Neves – Pequenos Lençóis Maranhenses

Quem já fez uma viagem longa de carro, as famosas road trips, vai se identificar com o que vou dizer agora: você fica tanto tempo no carro com a outra pessoa que há todo o tipo de fases e humor. Desde estar conversando fervorosamente sobre algo; até um silêncio absoluto onde cada um viaja em seus pensamentos; também aqueles momentos onde as música favoritas tocam e o carro vira um karaokê com direito a dancinha; não pode faltar aquele momento onde ocorre alguma discussão ridícula que você não sabe explicar nem como começou; e coisas interessantes que você vê na estrada e rendem umas boas fotos – enfim, acontece de tudo um pouco em uma mesma viagem.

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Alguém me explica como esse cidadão conseguiu esse feito?

Essa sensação de “que bom chegar em casa” eu tenho na verdade em praticamente cada casa que chegamos, pois de fato elas são nossas casas por algumas semanas. Cheguei a conclusão de o que costuma deixar uma viagem cansativa não é a viagem em si e sim outras questões. Pense comigo e veja se você concorda com essa lista de coisas que estão associadas a uma viagem e que são o que de fato te deixam cansado:

  • Quando você tem que trabalhar redobrado antes de tirar férias para ter certeza de que vai poder descansar sem ninguém ficar te ligando para resolver pepinos;
  • Quando você está indo visitar alguém e ficar hospedado com essa pessoa – isso é cansativo pois você tem que se adaptar à rotina daquela pessoa, não tem muita privacidade, e depois de chegar cansado do deslocamento tem que arrumar energia para conversar e passar tempo com seu anfitrião;
  • Você quer aproveitar o lugar que você está viajando (afinal é um custo viajar) e então você acaba não descansando o tanto quanto precisa e entope a agenda de coisas para fazer.

Bom, para nós, conhecer lugares novos está integrado ao nosso dia-a-dia. Não temos que trabalhar a mais, pois não vamos sair de férias. Fazemos as atividades no nosso final de semana. Quando chegamos cansados de dirigir por 7h vamos ter uma casa toda para nós. Podemos tomar um banho, pedir uma pizza e ver um pouco de TV, descansar de fato. Temos várias oportunidades para ir conhecer o local que estamos. Nunca dá tempo de fazer tudo, mas nós elegimos nossas prioridades e o resto só fizemos se de fato temos tempo e interesse. Assim nos permitimos descansar e ficar em casa, mesmo estando num lugar maravilhoso, também precisamos recarregar as energias e não fazer nada de vez enquanto. Não nos cobramos tanto como se fosse aquela uma viagem de 10 dias que não vamos ter a chance de fazer de novo por mais 1 ano.

Agora, tem uma questão que me cansa bastante: ir no mercado. Eu gosto de passear pelos corredores e ver o que tem de igual e diferente do que estou acostumada. Gosto especialmente de ir na sessão de temperos, já descobri alguns temperos e molhos bem legais e diferentes. Agora, sempre eu tenho tempo de ficar “vagando” pelos corredores. Na maioria das vezes eu estou com pressa, durante a semana, tenho que voltar e trabalhar… e eu simplesmente não consigo achar nada. Não dá para saber se o item que eu quero não é vendido ali ou se está em outro corredor sem olhar tudo com muita atenção. Então esse é um processo que me estressa um pouco – o tempo que levo para fazer uma simples compra cada vez que vou num mercado novo. Mas não é um grande problema.

Pelo menos já desenvolvemos uma estratégia para ajudar com a questão do mercado. Sempre que fizemos check-in na hospedagem perguntamos: – Qual o nome do seu maior supermercado? (Aquele com mais variedade) Desse modo, depois é só lançar o nome no Google Maps e pegar as direções, otimizando nosso tempo.

Junto com essa pergunta também temos mais duas perguntas padrão: – É possível beber água da torneira (é potável)? e Aqui é separado o lixo comum do reciclável?

Essas três perguntinhas nos facilitam bastante a vida.

No começo da viagem eu planejava muitas atividades para fazermos em cada local que passávamos. Mas com o tempo vai passando a febre da novidade e vamos conseguindo discernir o que é único daquele local e o que é comum encontrar em vários locais. Assim, hoje acredito que temos um equilíbrio bem legal, não está cansativo nesse quesito.

O Airbnb facilita muito a nossa vida em termos de encontrar nosso local de hospedagem. Com todos os filtros que a plataforma oferece, além da segurança, é relativamente tranquilo fazer isso. Leva tempo e é chatinho, mas são cerca de 6h de trabalho por mês (com excessão de uns dois locais com internet ruim que levaram mais tempo de pesquisa do que isso). Mas é uma tarefa menos chata que lavar a louça, que leva cerca de 15h por mês e a galera faz sem reclamar (risos).

Antes de viajar eu tinha a expectativa de que, trabalhando remoto, nós poderíamos escolher nossos dias de folga. Então eu fantasiava que seria possível driblar as multidões de pessoas dos finais de semana, que conseguíriamos, por exemplo, tirar as quintas-feiras de folga para passear e trabalhar no domingo para compensar. Bem, essa parte não foi possível, pois nossos clientes querem contato diário com a gente durante a semana. Também, não trabalhamos sozinhos e precisamos coordenar com o resto do time, estar presente de segunda a sexta.

De forma geral, acredito que esse tipo de viagem que estamos fazendo é um meio termo interessante. Uma mescla de rotina com aventura. Firmamos raízes por algumas semanas antes de sair novamente.  Não é como viajar em tempo integral, turistando todos os dias. Fora isso, não ficamos em hotel, alugamos uma casa completa. Temos alguma continuidade e consistência, pois temos nosso equipamento de trabalho e nossas coisinhas que carregamos conosco no carro. Não tivemos que guardar dinheiro ou fazer um super planejamento antes de sair viajando, vamos trabalhando durante a viagem. Tenho a impressão de que é bem mais fácil do que as pessoas imaginam ser.

Dirigimos apenas para mudar de local e para fazer compras. Em Floripa eu dirigia 1h30min todos os dias para ir e voltar para o trabalho. Isso são 7h30min por semana ou 30h por mês. Agora dirijo cerca de 10-12h por mês e estou conhecendo todo o continente ao invés de ir e voltar na mesma rodovia todos os dias.

Fazendo uma simulação geral de outras questões que são diferentes: essas 6h que levamos para pesquisar o local da hospedagem + 3h para arrumar as coisas e colocar e tirar do carro + 2h a mais perdidos no mercado = 11h por mês de “trabalho a mais”. Com certeza isso vale muito a pena para tudo que estamos tendo a oportunidade de conhecer e experenciar. Você não acha? Se dividimos essas horas por semana ou dia, para ter uma noção mais concreta do impacto delas na nossa vida, isso significa 2h30min por semana ou 21 minutos por dia – menos tempo do que o que você gasta no Facebook ou vendo TV. É possível ou não? É muito trabalho ou cansativo? Só você pode responder por você mesmo.

 

 

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