Você precisa viajar?

O que as pessoas buscam ao viajar? O que você busca ao viajar?

Guarde sua resposta em sua memória enquanto eu te conto sobre uma pesquisa fascinante.

Dentro de uma mesma cidade temos uma pessoa morrendo de fome e outra morando em uma casa com 5 banheiros. Ainda que essas duas pessoas estejam na mesma região geográfica, mesmo clima, falando a mesma língua, tenham a mesma religião, a vida (atividades diárias) dessa pessoa com e sem dinheiro são muito mais diferentes do que a vida dos seus pares em mesmo nível econômico do outro lado do mundo.

Isso foi comprovado por essa pesquisa  que coloca todas as pessoas do mundo como morando em uma mesma rua. A rua é organizada pelo nível econômico. Conforme a imagem abaixo, do lado esquerdo estão as pessoas em extrema pobreza e do lado direito, extrema riqueza. Essa pesquisadora enviou fotográfos para mais de 50 países do mundo para documentar os diferentes estilos de vida. A estrutura das casas, como comem, como dormem, a roupa, entre outros. E descobriu que o que nos diferencia é o acesso econômico, mais do que sua religião ou outra questão cultural.

Você mesmo pode ter acesso às fotos da pesquisa clicando aqui.

dollar street

Qual a implicação disso?

Várias.

Uma delas é a falsa percepção de pessoas que viajam “estouram sua bolha”.

Há pessoas que se gabam que já visitaram X números de países como se isso fosse prova de que eles são mais empáticos ou que podem proferir verdades ao comparar esse ou aquele modo de vida. Essa pesquisa aponta que seria mais relevante estourar a bolha econômica. Isso daria mais conhecimento sobre diferentes formas de viver.

Ao viajar, por onde você passa? Com quem interage? Como come? Como se desloca? Pois no final das contas,  você pode ter simplesmente interagindo com seus pares econômicos do outro lado do mundo. Um resort é um resort, seja no Kênia, China, Brasil ou Itália. Então, uma pessoa pode ter uma “perspectiva da vida” mais ampla indo do rico ao pobre dentro da sua própria cidade do que ao viajar o mundo todo dentro da sua bolha econômica.

Nesse sentido, me incomoda um pouco essa ideia de que basta viajar e alguém irá magicamente se tornar mais “mente aberta”. Há a crença de que essa pessoa será mais sábia, mais empática, mais flexível… Grande besteira. Viajar não é uma garantia de nada. Sócrates já alertou quanto a isso “Por que você está surpreso que viajar não é bom para você quando está carregando seu próprio estado de espírito com você?”. Ou seja, é preciso se abrir para o diferente para que haja alguma mudança.

Why are you surprised that traveling does you no good, when you are carrying your own state of mind around with you?

Então, se você quer viajar para ver um modo de vida diferente e assim se tornar alguém melhor, você pode entrar em contato com o diferente e alcançar essa mudança sem sair da sua cidade. Basta ter ações que permitam que esse encontro com o diferente aconteça.

Outra implicação dessa pesquisa é poder ver pessoas de outros países e culturas mais como similares ao invés de diferentes. É sair dos esteriótipos que vimos na mídia. Ter uma visão mais global dos fenômenos que vivenciamos enquanto seres humanos. Menos patriotismo e mais união enquanto moradores do planeta Terra.

Uma terceira implicação que gostaria de chamar a atenção é como olhamos para a experiência do outro. Muita gente pensa que entende o que é viver numa casa simples apenas por ter visto uma e ter imaginado como seria para ela viver ali. Dessa experiência saem muitos sentimentos de pena “eu não conseguiria”, “que miséria”, “que terrível”, “me dá algo ruim só de imaginar” – esses são alguns tipos de reação que eu já ouvi. É importante perceber que essa é sua visão e interpretação. Se você quer saber como é para aquela pessoa morar ali, você terá  que perguntar a ela.

A palavra-chave é curiosidade. Permitir-se imergir e ser diferente no encontro com o outro. Temos muito mais em comum com o outro ser humano do que diferenças. Medos, necessidades, desejos, sonhos […]

A barreira econômica pode ser uma das mais difíceis de serem superadas e parece ser a variável que mais afeta nosso modo de vida. Se você quer mesmo expandir seu entendimento sobre a vida, diminuir essa bolha pode ser o caminho mais eficaz de fazê-lo. E não é preciso sair de sua cidade para isso.

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