Do Deserto do Atacama ao Salar de Uyuni

Esse passeio é um verdadeiro parque de diversão para ecoturistas – cada parada um cenário mais incrível do que o outro!

No entanto, esse foi o passeio mais desafiador que fiz até hoje – e olha que já fiz trekkings the 50 km de distância e enfrentei temperaturas de -20ºC.

Você pode estar se perguntando: “Mas esse é basicamente um passeio de carro com paradas, como pode ter sido tão difícil?”

Bom, de começo porque está localizado numa das regiões mais áridas do mundo. Essa falta de humidade castiga o corpo. Segundo, pois nesse roteiro se chega a 4900m – então pode ocorrer falta de ar, fadiga, entre outros sintomas. O terceiro, é que nunca estive num local tão frio que não tivesse algum aparato para amenizar essa temperatura, pegamos -5º C. As acomodações, de forma geral, eram feitas de paredes de concreto e telhado de eternit, ou seja, apenas bloqueiavam o vento pois a temperatura era a mesma dentro ou fora da acomodação. Dormi com 3 casacos, duas calças e 3 cobertores e ainda assim passei muito frio. Consegui dormir apenas umas 3 h.

Então recomendo pedir saco de dormir para a agência em qualquer estação, assim como botas de borracha para poder entrar na água caso encontrem ela no salar.

Mesmo sendo tão desafiador, o trajeto é lindíssimo. Não é um lugar que você quer retornar todas as férias, mas com certeza valeu a pena ver com seus próprios olhos.

Roteiro

Saída: São Pedro de Atacama

Dia 1 (aprox 271 km):

  • Cruzar a fronteira com a Bolívia: fácil, apenas aguardar na fila e pegar o carimbo. O Darin precisou pegar visto. Pelo menos aqui na América do Sul me sinto privilegiada com meu passaporte Brasileiro =)
  • Laguna Branca: parcialmente congelada
  • Laguna Verde: embora a cor seja bonita, não possui vida nela devido a sua composição. Ela fica mais ou menos verde dependendo do vento que remove uma camada de pigmento da supercífie da água
  • Deserto Salvador Dalí: apenas uma paradinha mesmo, observação
  • Termas de Polques: duas piscinas com água proveniente de atividade vulcânica. Uma com 38º e outra com 30º, ambas temperaturas são ótimas considerando o frio que faz no local
  • Géiser Sol de la Mañana (local mais alto, quase 5 mil metros de altitude) embora o cheiro de enxofre seja bem forte no local, o calor dos gases era reconfortante. Lugar incrível! Fonte de energia geotérmica para as comunidades locais
  • Laguna Colorada: Maravilhosa! Não só a lagoa como os elegantes flamingos que a habitam
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Alfândega Entrada da Bolívia
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Laguna Branca

 

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Laguna Verde

 

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Termas de Polques
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Géiser Sol de la Mañana
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Laguna Colorada

 

Dia 2 (aprox 135 km):

  • Villamar Mallcu: comunidade onde dormimos. Estávamos tão cansados que nem saímos explorar o local
  • Italia Perdida: Um dos meus locais favoritos, um labirinto de rochas que surge do nada e termina em lugar algum
  • Laguna Negra: não conseguir ir ver essa laguna pois estava me sentindo extremamente fraca pela altitude e noite mal dormida. Mas o Darin foi e tirou uma foto para eu poder ver também ❤
  • San Agustin: apenas breve parada em um mercadinho
  • Chuvica: comunidade aos pés do Salar. Onde dormimos no hotel de sal, bastante confortável e bem mais quente do que a acomodação da noite anterior
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Italia Perdida, Bolívia
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Laguna Negra
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Chuvica

Dia 3 (aprox 300 km):

  • Isla Incahuasi (Isla del Pescado): Ilha coberta de cactus. Foi muito importante historicamente como ponto de parada (descanso e alimento) ao cruzar os kilômetros de salar. Para o turista, uma parada estratégica para ir no banheiro pois há uma multa de 150 pesos bolivianos para quem fazer xixi no salar
  • Salar de Uyuni: a ilha anteriormente descrita já fica sobre o salar. Mas essa parada se refere a passar tempo no salar em si. Mas o nascer do sol já havistamos de cima do salar, uma experiência incrível
  • Colchani: local onde há uma feira de artesanato
  • Uyuni (cidade): cemitério de trens, almoço e troca de motorista para voltar
  • San Cristóbal: parada de apenas 10 min numa feira
  • Villamar Mallcu: mesmo local que dormimos na primeira noite
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Isla Incahuasi
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Nascer do Sol Salar de Uyuni

A dimensão desse lugar é totalmente fascinante. São mais de 10 mil km² de sal!!!

O Salar de Uyuni tem 12 metros de profundidade e cresce cerca de 5 cm ao ano (verticalmente).

Assim, a extração de sal é uma importante atividade econômica para região. Tanto sal para consumo, quando para a construção. Sim – aqui é usado blocos de sal para construção.

Dia 4 (aprox 171km): apenas retorno, sem paradas

Retorno à San Pedro de Atacama


Estradas

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Estrada Bolívia

Nosso passeio de San Pedro de Atacama à Uyuni passou por apenas 100 km em território Chileno e cerca de 700 km por solo Boliviano.

80% das estradas Bolivianas são de estrada de chão ou rúpio.

Todo o trajeto que percorremos NÃO tinha sinalização, postos de gasolinas ou iluminação pública. Havia algumas comunidades de com cerca de 50 – 150 famílias em cada uma. Nessas comunidades havia o básico: restaurantes, supermercados, escolas e igrejas (olá colonização espanhola).

Achei bem interessante que para passar por essas comunidades tinhamos de pagar. Havia uma cancela e um cobrador. Era um valor pequeno, mas me fez pensar nos pedágios indígenas no Brasil, pois a comunidade com certeza não faz a manutenção da via, é mais um pedágio para poder passar em suas terras.

Como não chove muito na região, as estradas, embora fossem de chão, estavam em boas condições. Só que é necessário GPS quem se aventurar a ir sozinho, pois como comentei acima, a sinalização é inexistente.

Economia da Região

As comunidades que passamos vivem majoritariamente da agropecuária e turismo.

Há uma forte cultura de quinoa e batatas na região. Além da criação de llamas para lã e carne. Perguntei sobre a transformação da lã em fio para confecção de peças de roupas  e me falaram que eram produzido na capital, La Paz.

O salar é importante não apenas pelo turismo e extração de sal, mas abaixo dele também há a maior reserva de lítio do planeta, 70% de todo o lítio existente. Só que sua extração tem que ser realizada de modo a não afetar as outras fontes de renda e o meio ambiente.

Acomodação

A região que passamos é pobre e com condições de vida precária. Dormimos em uma dessas comunidades, na casa de um nativo.

Pegamos um frio de -5ºC e não havia nenhum tipo de aquecimento.

Em Santa Catarina estou acostumada que até família pobres do interior tem um fogão a lenha para aquecimento.

Já nessa região da Bolívia, as paredes e tetos apenas protegiam do vento e sereno, pois a temperatura era praticamente a mesma. Dormi com duas calças, 3 blusas, todos os cobertos que dispuseram por cama e ainda passei muito frio, consegui dormir apenas cerca de 3h.

No primeiro e terceiro dias dormimos na comunidade Villamar Mallcu e no segundo na borda do salar de Uyuni.  A segunda noite foi em Chuvica, num hotel de sal. Esse hotel tinha uma boa estrutura e temperatura dentro. Um pouco pode ser a matéria prima da construção.

A cidade de Uyuni é maior e mais desenvolvida, cerca de 40.000 habitantes.

Todos os locais que dormimos e restaurantes não ofereciam papel higiênico no banheiro. Parece ser algo difícil de conseguir para abastecer para o turismo. A própria agência já recomendou levarmos o nosso próprio papel. Mas me surpreendeu que mesmo em estabelecimentos pagos eles não proviam.

Nas atrações – todas, sem excessão – o banheiro era pago a parte. Apenas nessas ocasiões de pagar para usar o banheiro você ganhava papel. Gastamos no total cerca de 40 pesos bolivianos por pessoa para pagar banheiros (uns 25 reais). Mas muitas vezes não havia nada por perto e o jeito era se esconder atrás de uma pedra (pois não há vegetação alta) e usar a natureza.

Comida

A comida era simples, mas saborosa.

Lí várias avaliações ruins sobre esse passeio dizendo que as agências não proviam comida suficiente ao grupo (e outras reclamações, como motoristas bêbados). Mas escolhi uma agência que não tinha esse tipo de avaliação e de fato não passamos por esses problemas.

Vou deixar o nome da agência no final, pois gostamos do serviço deles.

Voltando ao papo da comida, havia bastante quinoa (produto importantíssimo na economia Boliviana), batatas, tomate e abacate nas refeições.

O estilo com que os hotéis e restaurantes serviam o almoço e janta me lembrou a Serra Gaúcha e seus restaurantes italianos. Primeiro vinha uma sopa com pães e depois o prato principal. Na primeira vez enchi a barriga de sopa, depois eu já fiquei esperta! rsrs

O prato favorito, unanimo em nosso grupo, foi a Sopa de Quinoa.

Vou deixar o link de uma receita para vocês testarem em casa – uma delícia!

https://www.bolivia.com/el-sabor-de-bolivia/asi-sabe-bolivia/sopas/sdi275/111112/sopa-de-quinua


Fomos com a agência Salar Andino e recomendamos. Pagamos o valor de 145.000 Pesos Chilenos por pessoa (abril 2019) com tudo incluso: comida, acomodações e transporte. A entrada nos parques (cerca de 180 pesos bolivianos), banheiros e souvenirs são pagos a parte.

Melhor época para pegar o efeito espelhado: de fevereiro e março

Leve roupa pesada de inverno (se tiver de neve). É muito frio, principalmente de manhãzinha e a noite. A agência recomendou 8l de água por pessoa e essa quantidade foi excelente, não é exagero. Como é muito imprevisível se você vai conseguir comprar água nos hoteis e mercadinhos, eles nos recomendaram levar um grande galão d’água já de San Pedro de Atacama.

E você, toparia pegar 700 km de estrada de chão, altitude de mais de 3000m e -5ºC para conhecer esse lugar?

Há viagens que te proporcionam ficar na sua zona de conforto e relaxar. Outras que te desafiam (físico, psíquico ou culturalmente). É nesse segundo tipo de viagem em que você vai crescer como pessoa.

Carpe Diem!

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