Do Brasil ao Atacama de Carro – Dicas contra a corrupção policial

Olá Itinerantes,

Vamos fazer um relato contato como é a logística para cruzar essas diversas fronteiras de carro (Brasil – Paraguai / Paraguai – Argentina / Argentina – Chile). E a grande motivação para fazer esse relato é que esse trajeto é INCRÍVEL! Lindo demais, esse é o tipo de estrada que faz a viagem de carro compensar para além do custo.

O Paraguai é um país complicado para cruzar por causa dos policiais corruptos – e a paisagem não compensa esse perrrengue. Para saber mais sobre isso escrevemos uma postagem exclusiva aqui.

Nosso trajeto foi de Florianópolis até ao arredores de Curitiba. De lá até Foz do Iguaçu, fomos novamente das Cataratas pois vale muito a pena. Mas nesse ponto, ao invés de ingressar no Paraguai pela Ciudad del Este, recomendo já entrar na Argentina (Puerto Iguazú).

Esse trajeto pela Argentina será um pouco mais longo, mas vale a pena para fugir dos policiais corruptos Paraguaios. A questão está tão séria por lá que até os delegados já estão envolvidos. Já na Argentina, estava ruim no passado, porém melhorou. O governo tomou medidas específicas contra a corrupção. Há, por exemplo, um formulário no site do governo que você pode baixar e preencher, fazendo um denúncia formal contra qualquer ação indevida. Esse canal de comunicação oficial e direto tem coibido a ação dos corruptos. Se vocês não encontrarem podem me mandar um email que envio o formulário que eu tenho pra vocês.

Contudo, já gostaria de aproveitar o gancho para contar a estratégia que nós elaboramos para evitar a ação de policiais corruptos, depois do que passamos no Paraguai. Ela tem funcionado muito bem e já aconteceu algumas vezes de o policial estar agindo de forma estranha e que acreditamos que foi nossa estratégia que evitou o pedido de propina.

Dicas para EVITAR que policiais corruptos peçam propina

  1. Saber as regras básicas e segui-las. No final do texto vou deixar uma lista do que cada país pede e que é diferente da nossa legislação. Porém, é importante você entrar na página do consulado desses países, pois lá você sempre vai encontrar informações atualizadas sobre qualquer mudança;
  2. Ter uma câmera ligada filmando a estrada (consequentemente ela filmará os rostos dos policiais também). Essa é a principal dica que posso oferecer. Vou explicar melhor na continuação do texto, mas já aconteceu de dois policiais se afastarem um pouco do carro com nossos documentos, ficarem cochicando e olhando para câmera, depois se aproximarem com olhar fixo na câmera (nossa hipótese é de que queriam ter certeza de que estava gravando) e então devolver nossos documentos e dizer que podíamos seguir viagem;
  3. Ter um chip ativo para fazer ligações ou usar a internet se precisar. Essa é a primeira coisa que fazemos ao cruzar a fronteira. Pesquisamos qual operadora queremos antes de viajar e já colocamos no GPS o endereço da loja mais próxima depois da fronteira. Ir à uma loja oficial é importante pois a maioria dos países exigem que extrangeiros registrem seu documento junto ao chip pré-pago;
  4. Ter salvo na sua lista de contatos o telefone do consulado Brasileiro para aquela região. Não o número regular de atendimento ao público, cada consulado tem um número de emergência que atende 24h por dia 7 dias na semana. Você encontra esse número na própria página dos diferentes consulados.

Como o título dessa sessão diz, essas são dicas para evitar problemas. Depois de o policial chegar ao ponto de pedir, você vai ter que decidir o que vai fazer para manter sua segurança. Vou explicar mais a fundo a importância de cada dica e deixar algumas reflexões sobre o que fazer caso a situação chegue ao ponto da coação do policial para que você lhe dê dinheiro.

A primeira dica é auto explicativa, se você estiver fazendo algo errado e for parado, muito possivelmente você só vai conseguir um problema maior se agir como se o policial quisesse propina.

A questão da câmera, chegamos nessa ideia pelo seguinte: temos uma go pro e gostamos de filmar a estrada. Porém, pensávamos que se o policial visse equipamentos tecnológicos ele iria “crescer o olho”, no sentido de talvez querer ver todas os nossos pertences, pedir nota fiscal de tudo, e por fim, pedir propina. Pensávamos que a câmera atrairia a atenção de forma negativa. Contudo, percebemos que nossa placa de fora é o que chama a atenção. Era ver a placa de fora e eramos parados em CADA posto policial – um saco! E em uma dessas paradas houve toda aquela situação horrível que passamos no Paraguai.

Então, invertemos a lógica: se vamos ser parados, talvez a câmera ajude a nos proteger. Uma vez que estamos gravando, será que os policiais não vão ficar reticentes de fazer qualquer abordagem suspeita? E foi exatamente isso o que aconteceu. Muitas vezes o policial encara a câmera e nem pede para pararmos. Isso foi uma mão na roda!

A questão 3 e 4 estão enterligadas. Caso o policial insista que algo é ilegal e você realmente pense que ele está inventando uma infração para pedir propina, você pode dizer: “Parece que temos informações diferentes, deixe eu ligar para meu consulado para resolvermos essa questão”. Isso é melhor do que ir com o policial para a delegacia (as vezes nem é pra lá que o policial te leva, já lí histórias de terror onde o turista é apenas levado para longe da estrada e de outros motoristas para ser estorquido). A mesma coisa se ele não quiser devolver seus documentos ou algo assim – você tem o direito de se comunicar com o Consulado Brasileiro.

Sem um chip que funcione você provavelmente não vai conseguir fazer a ligação. Ou se conseguir com o chip do Brasil será roaming internacional e a conta pode ser o valor da propina! rsrs (sim, a ligação pode chegar a ser mais de 50 reais dependendo da duração da ligação). Você pode pesquisar a operadora Claro, parece que eles tem um plano para a América do Sul – não temos esse plano mas ouví uma recomendação. Verifique os preços (se vale a pena) e a cobertura da Claro para a região onde você irá passar de carro.

Só com a ameaça de ligar para o consulado, pode ser que o policial desista de sua abordagem. Mas se ele não desistir, comece a ligação informando em que rodovia você está, a placa do carro do policial, o nome dele (se estiver no uniforme) e depois informe que você acredita estar sendo mantido no local de forma injusta e que precisa de orientações de como proceder.

O policial exigiu uma propina, e agora?

Putz, o pior aconteceu, agora é decisão sua. Eu prezo pela minha segurança e um policial armado que não está cumprindo a lei me dá medo no sentido de eu não saber qual o limite dele, até onde ele irá – então eu provavelmente daria.

Há viajantes dizem que não dão dinheiro de jeito nenhum, que preferem passar a noite da cadeia se for preciso. Minha mente trágica já pensa que a prisão não é o pior ação que esse policial pode fazer… e enquanto você está preso eles também podem roubar coisas suas que depois você não vai conseguir provar, então para mim, não vale a pena o risco.

Então, eu, pessolmente decidi fazer o seguinte: dividir o dinheiro que possuo em vários locais (não deixo ele todo na carteira). Estabeleço um valor que eu estaria disposta a perder e que seria “acreditável” ao policial, sei lá uns 50 reais, e deixo esse valor na carteira. Se chegar nesse extremo, meu plano é abrir a carteira na frente do policial e dizer “É tudo o que tenho”.

É uma estratégia de redução de danos.

Já ouvi relato de pessoas que inventam que são políticos ou jornalistas… mas eu não tenho sangue frio pra bancar isso e não sei se o policial iria comprar a história.

Espero que essas ideias te ajudem a formar sua própria estratégia.


Por incrível que pareça, os policiais foram nossa principal preocupação e problema de viajar de carro. Que triste isso!

Temos certeza que se tivermos qualquer problema mecânico a população iria ajudar da forma que conseguisse. Aliás, temos um ótimo exemplo de perrengue para contar em um próximo texto, como exemplo de que as pessoas no geral não querem o seu mal.

Fronteiras

O viajante precisa apenas entender a lógica por trás de cruzar uma fronteira de carro e então todo o planejamento e execução vão fazer sentido e será tranquilo.

Você precisa declarar a entrada e saída de cada país que não seja o seu. Você não precisa declarar à alfândega Brasileira que está saindo do país. Também não precisa fazer nada ao voltar.

Então, ao sair do Brasil e ver um posto policial já em solo estrangeiro, é só parar e perguntar o que é preciso fazer. Geralmente eles apenas vão te dar um formulário para preencher e pedir seus documentos. Simples assim.

Mas você geralmente precisa estacionar o carro e ir falar com o pessoal do controle da fronteira. Eles vão decidir se vão inspecionar seu carro ou não. É importante dizer isso pois em muitos casos, ninguém vai te parar. Você quem vai parar o carro. Se você apenas pensar “ninguém pediu para eu parar então quer dizer que não precisa” você pode arranjar um grande problema.

Se você apenas vai fazer um bate-volta na Cuidad del Este (cidade Paraguaia fronteira com Foz do Iguaçu), eles de fato não pedem nada, é livre. Não fazem o controle de quem está entrando ou saindo. Isso é uma exceção, de forma geral, você vai ter que parar e fazer o procedimento de entrada no país.

Em Puerto Iguazú,  fronteira Brasil – Argentina, a passagem parece um pedágio. Você pára, mas não precisa descer do carro. Você apenas abaixa o vidro e apresenta os documentos para alguém numa cabine.

A fronteira entre Asunción e Argentina foi a mais complicada até agora. Como o Paraguai tem essa questão de eletrônicos baratos, o controle fronteiriço Argentino realmente olhou tudo o que podia ser olhado – Até um cachorro farreijador usaram. Todas as malas tiveram que ser retiradas do carro e abertas para inspeção. Apesar do tempo perdido, foi tranquilo, não tínhamos nada a esconder.

Também, tinhamos conosco a nota fiscal impressa de todos os nossos eletrônicos (temos bastante pois trabalhamos remoto). Eles pediram para ver, foi importante ter.


mapa brasil ao atacama
Trajeto entre Florianópolis e Atacama

Essa é uma imagem do trajeto que fizemos. Trajeto todo de asfalto, alguns trechos com buracos, mas nada muito grave. Postos de gasolina à cada 50 km pelo menos. Essas foram as cidades que dormimos:

Campo Largo (arredores de Curitiba)

Foz do Iguaçu, Brasil

Asunción, Paraguai

Ingeniero Juarez, Argentina

Purmamarca, Argentina

San Pedro de Atacama (SPA), Chile

De Asunción para  SPA fomos em 3 dias. Depois voltamos com mais calma. Recomendo ficar alguns dias na região de Purmamarca para se aclimatar com a altitude. Eu passei mal na fronteira entre Chile e Argentina, eles têm uma enfermaria gratuita lá e ficou tudo bem. No caminho de volta fiz um chá de folha de coca e então correu tudo bem (mais informações nesse post)

Aqui nesse vídeo você poderá ver os melhores momentos dessa aventura e a transição entre uma região à 43m do nível do mar, plana e verde, para um deserto à 4000m de altitude, com salares e vulcões de cume nevado.

Que viagem! Não é para menos que é tão conhecida – vale a pena cada segundo!

Grande abraço


Dúvidas Frequentes

Precisa de 4×4? NÃO!

Que documentação precisa?

  • Carta Verde (todos os países do Mercosul)
  • Permissão Internacional para Dirigir (PDI) – os policiais devem aceitar a nossa CNH, mas é um documento rápido e barato de conseguir com o detran da sua cidade e pode evitar de que peçam proprina. No meu caso ajudou ainda mais pois perdi minha CNH durante a viagem e fiquei dependendo exclusivamente da PDI (consulados não emitem segunda via da CNH)

E para o carro, o que precisa? (para além do que o Brasil exige)

  • 2 triângulos (apenas para Argentina)
  • Cambão (apenas para Argentina)
  • Faróis acesos sempre
  • Apoio de cabeça para bancos dianteiros (apenas para Argentina)
  • Kit primeiro socorros
  • Extintor
  • Adesivo de velocidade máxima (apenas para camionetes e veículos maiores)
  • Faixas luminosas na traseira (apenas para veículos de grande porte)
  • Se você vai alugar um carro ou pegar emprestado de alguém, você precisa apresentar uma autorização por escrita para poder conduzir o veículo

*Conseguimos comprar todos esses itens que a Argentina pede em Foz do Iguaçu, menos o adesivo de velocidade máxima (que é exigido para camionetes e veículos maiores que isso). Mas ao cruzar a fronteira fomos num posto de gasolina Shell e eles tinham.

Algum item que não é obrigatório mas vocês recomendam?

Sim

  • Seguro Viagem (é basicamente um seguro de saúde)
  • Medicações que vocês possam precisar: dor de cabeça, etc
  • Fazer o download do mapa (para usar offline em locais que não há internet)
  • Ter alguma câmera que possa filmar a estrada (com intenção de filmar os policiais e poder usar isso caso haja abuso de poder). Pode ser um suporte para o próprio celular, mas que permita que a câmera tenha bom ângulo de visão

Outras dúvidas? Deixem nos comentários, pois elas podem ser a dúvida de mais pessoas e nossa resposta já servirá aos demais.

Boa viagem!

 

 

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