De Salta Para Mendoza – Lindo Trajeto Com Uma Pitada de Aventura

Olá Itinerantes,

Esse era para ser apenas o relato de um lindo e tranquilo trajeto em nossa viagem e acabou virando o relato de uma aventura!

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Ruta 68 Entre Salta e Mendoza

Vamos falar sobre algumas possibilidades de trajetos entre Salta e Mendoza, qual escolhemos, por quê, e por fim, como alguns acontecimentos imprevisíveis o transformaram em uma aventura.

 Trajeto 1: A opção que o Google Maps destaca, a princípio, é de 1200 km e aproximadamente 15h de volante. Passa por San Miguel de Tucumán, Catamarca, La Rioja e por fora de San Juan – como é possível observar na imagem abaixo.

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Trajeto 1 entre Salta e Mendonza

Trajeto 2: Para quem quer conhecer a cidade de Córdoba, é possível fazer essa opção de trajeto que aumenta cerca de 200 km e 3,5h de viagem (marcado em cinza no mapa acima).

Trajeto 3: A rota pela qual optamos foi uma mais turística – pela a Ruta del Vino de Cafayate e tem bem menos caminhões. Ela têm mesma kilômetragem e adiciona 1h de volante, pouca diferença e vale muito a pena. Veja o trajeto na imagem abaixo, é pela Ruta 40.

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Trajeto 3 Salta a Mendoza, Ruta del Vino

Cafayate é uma cidade bem charmosa com ótimas opções de restaurante para o viajante, boa parada para almoçar. Antes de chegar em Cafayate, recomendamos parar em dois locais – El Anfiteatro e a Garganta del Diablo.

Eles são formações geológicas muito bonitas e impressionantes. Ao invés de eu ficar tentando descrever, é melhor que vocês vejam com seus próprios olhos nas imagens.

Esses dois locais ficam um do lado do outro, menos de 1 km de distância entre eles e ambos ficam na beira da estrada. Há estacionamento gratuito e a entrada é gratuita, você pode deixar uma doação se quiser. 

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El Anfiteatro, Salta Province

Na verdade gostamos mais da Garganta del Diablo do que do Anfiteatro, mas vale a pena dar uma paradinha para conhecer cada um. As agências de turismo fazem esse trajeto até Cafayate como um day trip de Salta (e vice-versa), parando nesses dois locais. Para nós, fez muito sentido apenas incorporar o roteiro como parte do nosso deslocamento rumo à Mendoza. Además, não há necessidade de agência, o caminho é todo asfaltado e fácil de fazer sozinho.

No anfiteatro havia uma banda tocando dentro, isso deu uma charme ainda mais especial ao local. Sabe aquela vontade de dançar mesmo em público? Foi mágico! A própria estrutura do local ecoava as notas (dai o nome do local) levando o ouvinte à um transe, imaginando os diversos grupos humanos que usaram o local ao passar dos séculos.

Na Garganta del Diablo não havia uma banda formal, mas um dos vendedores de artesanato estava tocando, apenas por diversão própria, uma flauta indígena. Foi lindo! A música tem esse poder de nos conectar ao momento, não é mesmo?

Não vimos as pessoas que vieram por agência subindo o paredão e adentrando a Garganta del Diablo, depois ficamos da dúvida se era proibido. Mas o legal mesmo é ir até o final e ficar envolto pelos cânions.

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Garganta del Diablo, Salta Province

A Aventura

Na cidade de Chilecito tivemos que sair da ruta 40 e seguir pela 74 – por duas razões. A primeira é que a serra que fica na região de Miranda estava fechada. Havia neve no caminho e teríamos que esperar algumas horas até as máquinas limpassem a passagem nos carros. Segundo, pois é uma região bem mais isolada, com menos população e serviços. Isso se tornou uma preocupação pois acordamos nesse dia (dormimos em Chilecito), sem luz. Não apenas na cidade – no país INTEIRO. Sem previsão de quando a eletricidade voltaria, tinhamos um grande problema: cerca de ¼ de gasolina no tanque e os postos de gasolinas não estavam conseguindo abastecer, pois é necessário eletricidade para trazer o combustível até as bombas.

Fomos a cerca de 3 postos de combustíveis e a resposta era a mesma: não dá pra abastecer. 

QUIZ AO LEITOR – O que você faria nessa situação???? 

São 8h da manhã, você acorda numa cidade que está à 8h de direção do seu destino final (640km).

É um domingo, você trabalha na segunda. Sua próxima hospedagem já está paga para o mês.

Você tem ¼ de gasolina no tanque (que apenas te leva à menos de 100 km de onde você está). Você não pode abastecer pois o país está sem eletricidade e sem previsão de quando irá voltar a luz (postos precisam de eletricidade para puxar combustível até as bombas).

O que você faria?

(Pense na sua resposta antes de continuar a leitura)

 

 

 


Diante dessa situação, tínhamos algumas opções:

  • Ficar onde estávamos esperando a eletricidade voltar para abastecer e para que a neve fosse retirada;
  • Ir pelo outro caminho, sem neve e com mais estrutura, até a próxima cidade que nosso combustível alcançasse. E então, se não tivesse eletricidade ainda nessa próxima cidade, esperar, talvez até dormir lá;
  • Procurar uma maneira de conseguir mais gasolina para garantir que chegaríamos no nosso destino final ainda naquele dia;

Escolhemos a terceira opção. A ideia inicial era comprar um galão de combustível do próprio posto de gasolina e perguntar onde conseguiríamos comprar uma mangueira – talvez eles mesmos tivessem (para quem não sabe, é possível tirar combustível de uma veículo ao outro com um mangueira e o galão que fica em desnível com o tanque – Google it rsrs). Depois, acharíamos uma casa com carro na garagem para abordar e oferecer de comprar uns 10l de combustível.

Ao conversar com os frentistas do posto perguntei, com a esperença que talvez algum deles se voluntariasse, se eles não conheciam alguém que podia nos vender gasolina. Expliquei que tinhamos que seguir viagem e que uma pessoa que morasse na cidade teria disponibilidade de esperar a eletricidade voltar até comprar mais gasolina – já que eles não usam tanto.

Para minha surpresa, nessa região da Argentina há famílias que revendem gasolina, como um negócio mesmo. Compram em galões de uns 200l e revendem. Não faço a mínima ideia de por que a população compraria dessas pessoas ao invés de um posto de gasolina, já que era cerca de 10% mais caro por litro do que nos postos. Talvez a distância até um posto? Uma hipótese que o Darin deu é que ele viu uma placa no posto dizendo “não vendemos gasolina para motociclistas sem capacete”. Assim, pode ser que esse público compre nessas locais informais.

De qualquer forma, independente de por quê essa venda informal exista, nos ajudou muito! Em vez de termos que falar com um estranho arranhando um portunhol e convencer essa pessoa a nos vender gasolina, apenas teríamos que achar esses locais informais de venda.

Assim, lá fomos nós. 5l de uma casa, mais 5l na próxima vila, e depois BINGO, achamos um local com mais quantidade e compramos 20l. Com essa quantidade já teríamos combustível para maior parte do caminho, mas sabíamos que teríamos que abastecer pelo menos mais uma vez.

Paramos para almoçar e vimos um posto de gasolina Shell que não tinha cones bloqueando o acesso às bombas (como os demais postos). Decidimos ir até lá ver e demos muita sorte – eles tinham um gerador próprio! Completamos e sabíamos que com essa quantidade conseguiríamos chegar a Mendoza, uma preocupação a menos.

Agora mais relaxados, curtimos um bom almoço e o lindo trajeto entre montanhas e vinhedos até Mendoza. Mais uma aventura e boa história de viagem – um apagão à nível nacional! Rsrs

Trajeto lindíssimo – vale a pena fazer ele de carro.

Grande Abraço

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Ruta del Vino, Argentina (Vinhedos e Andes)

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